Por Lucas Araújo
O Recinto Horácio Sabino Coimbra na ExpoLondrina 2026 ficou
lotado nesta sexta (17) para a realização do 11º Encontro Regional de Mulheres
Rurais, realizado pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná
(IDR-Paraná) com o apoio da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e o
Sicredi. O Encontro debateu assuntos como o protagonismo feminino na agroecologia
e as dificuldades que o público feminino enfrenta no campo. Além disso, uma
Roda de Conversa trouxe casos de sucesso de produtoras rurais que atuam no
sistema agroecológico.
A extensionista do IDR-Paraná Marli Peres, coordenadora geral
do evento, explica que há um compromisso do Governo do Paraná que até 2030 toda
a merenda escolar precisa ser orgânica. “Como precisamos de mais produtores
orgânicos, nós, da extensão rural do IDR-Paraná, temos trabalhado
sensibilizando os agricultores e trazendo informações técnicas importantes”,
declarou a extensionista.
Jovana Cestille é agricultora no Assentamento Eli Vive em
Londrina. Ela está há 13 anos trabalhando com hortifrutigranjeiro e desde 2021
é certificada como produtora orgânica. “A mulher tem sempre esse olhar do
cuidado. Como a gente precisa cuidar da terra, do solo e das plantas, a gente produz
sem veneno, o que é bom para a gente e também para o consumidor”, salienta.
A extensionista do IDR-Paraná Aline Vieira realizou palestra
sobre o protagonismo das mulheres na agroecologia. De acordo com ela, as
mulheres costumam ter uma dedicação especial à produção de alimentos,
principalmente pensando em produtos saudáveis para sua própria família. “Elas
transformam uma atividade quase doméstica em renda. Por exemplo, se elas têm
uma horta com produção sustentável, logo elas acabam vendendo o excedente e
gerando renda”, diz a extensionista.
Também segundo a palestrante, as mulheres costumam ser mais abertas
à mudança, à inovação que os homens, especialmente se isso combina com os
valores e o que elas acreditam. “Se elas puderem produzir alimentos saudáveis,
alimentar sua família e das outras pessoas, não se intoxicarem durante o
trabalho e ainda gerar renda, com certeza ela vai fazer”, afirma. Aline vai
mais longe e sentencia. “Não existe agroecologia sem a mulher! A cultura da
guarda de sementes, o cuidado, isso é intrínseco ao feminino”.
Além da palestra da extensionista, foi realizada uma
apresentação artística durante o evento e uma Roda de Conversa. A Orquestra
Popular Camponesa, composta por 40 crianças da rede pública municipal de
ensino, encantou o público. Elas fazem parte do projeto de mesmo nome com mais
de 250 crianças de diversas comunidades do Paraná. Já a Roda de Conversa trouxe
casos de sucesso de agricultoras que trabalham no sistema agroecológico.
A produtora rural de Rolândia Rafaela Guaita participou da Roda de Conversa. Ela tratou da realidade da produção orgânica e das vantagens de ser certificado. Para ela, é muito bom ser produtora rural. “É muito difícil mesmo, mas a gente escolheu isso e a gente ama o que faz”, acredita. Conforme a produtora, ainda há preconceito contra as mulheres no campo. “Muitos homens veem a participação das mulheres como uma disputa por espaço. Outros não gostam de negociar com a gente. Não aceitam o preço que a gente pede. Acho que se fosse um homem, eles aceitam o preço e pronto. Não haveria discussão”, salienta a agricultora.
Fotografia: Gabriel Vinci