Por Mariana Guerin
A programação da ExpoLondrina também abre espaço para a
qualificação profissional no universo pet. Um dos destaques deste domingo (12)
foi o curso de tosa bebê, ministrado pelo instrutor Ricardo Alves de Lima, que
lotou o auditório do espaço Sebrae Conecta Pet com donos de pet shops em busca
de aperfeiçoamento técnico e aumento da rentabilidade.
Além da palestra “Os segredos da tosa bebê para encantar seus
clientes e faturar mais”, Lima apresentou, na prática, técnicas que vão muito
além da estética, promovendo segurança, bem-estar animal e padronização de
processos para garantir qualidade no atendimento.
Durante a aula, o instrutor reforçou que a tosa bebê exige
atenção aos detalhes e, principalmente, cuidado com áreas sensíveis do animal.
Um dos pontos de alerta é o uso da tesoura na região do rosto.
“É fundamental trabalhar devagar, principalmente quando o
cachorro coloca a língua para fora. Um descuido pode causar ferimentos que demoram
para cicatrizar”, detalhou.
Entre as orientações práticas, ele destacou travar a boca do
cão com segurança, utilizando a guia e os dedos para evitar movimentos bruscos,
não cortar os cílios, preservando a expressão natural do animal, e utilizar
máquina apenas nos cantos dos olhos e tesoura no restante da franja. “Nunca assopre
os pelos do rosto, o ideal é removê-los com a ajuda de um pente para evitar que
entrem nos olhos”, reforçou Lima.
Segundo ele, os cuidados com a técnica mantêm a expressão,
por isso, cortes inadequados podem alterar completamente a aparência do animal.
“Não podemos deixar o cachorro com aspecto assustado ou triste. O rosto deve
ser arredondado, nunca triangular”, orientou o instrutor.
Passo a passo do rosto
perfeito
Um dos momentos mais aguardados do curso foi a construção do
rosto arredondado, característica marcante da tosa bebê. A técnica começa pela
franja, que deve ser cortada até a altura dos cantos dos olhos, seguida pelo
alinhamento dos pelos e separação dos cílios com as mãos.
Na sequência, inicia-se o arredondamento, que começa pelo
queixo, com limite de até dois dedos abaixo, para evitar papada. Em seguida, é
hora de trabalhar as laterais do rosto para garantir harmonia, integrando o
corte dos pelos do rosto com a orelha e o crânio, evitando pelos desalinhados.
Para quem ainda não tem tanta habilidade com a tesoura, Lima
sugere começar com um formato mais quadrado e, aos poucos, retirar as quinas
até atingir o arredondado ideal.
Outro ponto essencial é o acabamento. “É preciso pentear de
duas a três vezes até não restarem pontas. O acabamento bem feito é o que diferencia
o profissional”, ensinou o instrutor, lembrando que a finalização envolve,
ainda, uma boa escovação dos pelos e alinhamento dos acessórios abaixo do
pescoço para deixar o pet bonito para a foto.
Equipamentos e
agilidade no atendimento
O curso também abordou o uso correto de equipamentos,
reforçando que técnica é mais importante do que ferramentas sofisticadas, mas
que bons equipamentos fazem diferença na produtividade.
Entre as recomendações, o instrutor sugeriu o uso de máquinas
leves e silenciosas para reduzir o estresse do animal, diferenciar máquinas de
corte e de acabamento, trabalhar com adaptadores e lâminas adequadas para cada
tipo de raça e usar a tesoura curva para marcar o corte e a tesoura “tubarão”
quando atender cães ofegantes, para evitar ferimentos.
Além da técnica, o instrutor citou a importância de criar um
processo de trabalho. “A padronização garante consistência nos resultados e
aumenta a confiança do cliente”, enfatizou.
A tosa bebê, segundo ele, tem alto valor agregado no mercado
pet, com média de R$ 250 por serviço. O crescimento do pelo, que leva cerca de
dois meses para atingir entre 13 mm e 16 mm, contribui para a fidelização dos
clientes. “Quem mantém frequência sempre quer o corte mais baixo e isso gera
recorrência no serviço.”
Atendimento
personalizado faz a diferença
Outro aprendizado importante é entender que cada cliente tem
uma expectativa. Nem sempre a técnica mais elaborada será a mais funcional para
o dia a dia do tutor.
Detalhes como o comprimento da orelha, por exemplo, podem
variar, de acordo com o instrutor. Alguns preferem mais curtas para evitar
contato com água no bebedouro. Já os pelos laterais do rosto precisam ser bem
aparados para não incomodar o animal ao se alimentar. “O mais importante é
alinhar técnica e necessidade do cliente. Um bom profissional sabe adaptar o
corte sem perder qualidade”, reforçou.
Demonstração prática
encanta o público
A aula contou com demonstrações ao vivo, utilizando cães da
raça Shih Tzu como modelo, evidenciando na prática cada etapa do processo. O
resultado final foi um rosto harmonioso, limpo e expressivo. Os modelos Kaya e
Tobby foram tão profissionais durante a aula que arrancaram suspiros
apaixonados do público presente por conta da fofura da dupla.
Mais do que uma capacitação técnica, o curso promovido pelo
Sebrae Conecta Pet reforçou o papel do profissional de banho e tosa como
responsável pelo bem-estar e pela autoestima dos pets, um mercado em constante
crescimento e cada vez mais exigente.
Mariane Almeida Ieda, dona do MariPet, no Centro de Londrina,
participou do curso na manhã de domingo e aproveitou para fotografar as etapas
do corte e anotar todas as dicas do professor.
“Eu achei que o Sebrae teve uma iniciativa inovadora que vai
agregar muito para o mercado pet de Londrina. A gente teve a oportunidade de,
com um valor acessível, buscar um conhecimento que vai mudar totalmente a nossa
técnica no dia a dia, a forma que a gente vai valorizar o nosso trabalho.
Gostei muito”, opinou Mariane. Para ela, o destaque da aula foram as dicas de valorização
da técnica.
“Muitas vezes, no nosso dia a dia, a gente é acostumado a
raspar o cachorro, a entregar de qualquer maneira, e a técnica valoriza o nosso
trabalho, mostra realmente que nós não somos apenas raspadores de cachorros,
mas que somos profissionais e podemos nos destacar desse mercado”, avaliou a
empresária.
Fotografia: Larissa Timóteo