Por Luis
Fernando Wiltemburg
Parte importante da programação da ExpoLondrina, os concursos de animais ocorrem durante todo o evento. Bovinos, equinos, caprinos e outras raças são avaliados por um corpo técnico a partir de características como raça e aptidão genética do animal, de acordo com sua finalidade. Segundo o diretor de Pecuária e Melhoramento Genético da SRP (Sociedade Rural do Paraná), Luigi Carrer Filho, as avaliações técnicas são importantes para democratizar os genes dos indivíduos considerados mais aptos para o gado de campo, melhorando os ganhos do pecuarista.
Carrer explica que o julgamento consiste na avaliação, dentro de cada categoria, das características raciais de cada indivíduo, como pelagem, comprimento, cabeça, o chanfro, o focinho e a pigmentação, por exemplo. “Também existem algumas características mais técnicas como a marrafa, que é o intervalo entre a base do chifre, entre outros”, diz Carrer.
Dentro das
características raciais, como parâmetros de avaliação, há o padrão, o permissível
e a diferença desclassificante. “Tomando como exemplo o gado nelore, a cauda
branca é um fator que desclassifica. Os cílios têm que ser pretos, e não
brancos. O focinho deve ser todo preto. Às vezes, alguns animais apresentam uma
parte branca, que chamamos de lambida e, dependendo da extensão, também leva à
desclassificação.”
Melhor genética
Características
econômicas dos animais também são submetidos à avaliação dos jurados, de forma
a definir quais têm as melhores características genéticas que podem ser
passadas para o gado de campo. “O objetivo é que esses genes sejam transferidos
ao gado de campo, a fim de acelerar a precocidade, o ganho de peso, a
precocidade reprodutiva, a habilidade materna, de modo que resulte em uma
produção de carne maior e de melhor qualidade, o que aumenta a rentabilidade do
produtor”, explica Carrer.
Nessas características econômicas, é avaliada a porção posterior do animal, onde estão as carnes nobres, como picanha, maminha e fraldinha; a carcaça; o comprimento; arqueamento da linha dorsal; e a inserção de cupim, no caso dos zebuínos, entre outras. Essa análise é feita tanto com o animal parado quanto em movimento, para verificar se ele tem capacidade de se locomover e se alimentar em pastos. ”Se ele não tiver aprumos perfeitos, não vai conseguir nem se alimentar, nem se reproduzir.”
Dentro da
espécie, os animais são julgados em várias categorias. As vacas, por exemplo,
são divididas entre bezerra, novilha menor, novilha maior, vaca jovem e vaca
adulta. De cada uma, são eleitas a campeã e a reservada, num pódio de primeiro
e segundo lugar. Ao final do julgamento, todas as campeãs voltam para a pista
para serem novamente avaliadas para eleger a campeã da exposição. “E não é necessariamente
o animal mais velho, ou o mais jovem, ou o animal do meio. É aquele que, no dia
do julgamento, dentro das características raciais e econômicas, melhor expressa
o padrão da raça”, afirma o diretor de Pecuária da Rural.
Os jurados
Os apontamentos das características avaliadas nos julgamentos são diferenças que a maioria das pessoas não vê ao comparar dois animais da mesma espécie. Por isso, a maioria dos jurados são médicos veterinários, agrônomos, zootecnistas ou produtores que tenham afinidade com criações.
De acordo
com Carrer, para se tornar um jurado, é necessário passar por um curso de
capacitação, com direito a participações como auxiliar do júri no início. As
regras de avaliação são definidas pelas associações de produtores das espécies.
“Ao jurado, não só cabe definir as colocações, definir qual é o campeão e o reservado, mas também fazer o comentário para justificando cada posição no pódio. E tem de ser feito de uma maneira que os produtores, os técnicos e a plateia leiga entendam seus apontamentos”, diz Carrer.
Fotografia Rubem Vital