ExpoLondrina 2026

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18/04/2026

ExpoLondrina 2026 reuniu mentes brilhantes que reforçam o protagonismo da feira na ciência e inovação no agro

Por Mariana Guerin

A ExpoLondrina 2026 se consolidou mais uma vez como um dos principais palcos de difusão do conhecimento no agronegócio brasileiro, reunindo pesquisadores de destaque que estão na linha de frente da inovação científica. Com projetos que vão da biotecnologia e sustentabilidade no campo até o consumidor final, esses especialistas compartilharam experiências, resultados e perspectivas que reforçam o papel da ciência como motor do desenvolvimento rural e da competitividade do setor.

A pesquisadora Mariangela Hungria, da Embrapa Soja, alcançou um marco histórico ao ser incluída na lista TIME100 2026 como uma das pessoas mais influentes do mundo na categoria "Pioneiros". O reconhecimento aconteceu na última quarta-feira (15), mesmo dia em que ela palestrou no Pavilhão Smart Agro sobre como o uso de microrganismos tem revolucionado a agricultura ao promover ganhos produtivos e redução nos custos, além de contribuir diretamente para a mitigação das emissões de gases de efeito estufa.

Mariangela celebra décadas de dedicação à ciência brasileira, destacando seu papel fundamental na substituição de fertilizantes químicos por insumos biológicos. Para a cientista, essa nomeação não é apenas uma vitória pessoal, mas uma validação do protagonismo do Brasil em práticas sustentáveis e na promoção da "Saúde Única", que integra a saúde do solo, das plantas e dos seres humanos.

Engenheira agrônoma e doutora em Ciência do Solo, Mariangela decidiu sua vocação ainda na infância e foi mentorada pela renomada Johanna Döbereiner. Ao longo de sua carreira na Embrapa, iniciada em 1982, ela desenvolveu mais de 30 tecnologias e publicou centenas de estudos que revolucionaram a produtividade agrícola. Suas inovações em fixação biológica de nitrogênio e coinoculação da soja provaram que é possível obter altos rendimentos sem fertilizantes nitrogenados, prática hoje adotada em grande parte das lavouras brasileiras.

O impacto do seu trabalho é mensurável tanto econômica quanto ambientalmente: somente em 2025, suas tecnologias geraram uma economia estimada de US$ 25 bilhões ao dispensar químicos, além de evitar a emissão de mais de 230 milhões de toneladas de CO2. Acumulando honrarias como o World Food Prize 2025, o "Nobel da Agricultura", e posições de destaque nos rankings da Universidade de Stanford, a pesquisadora consolidou-se como a principal referência brasileira em microbiologia do solo e uma das vozes mais influentes da agricultura regenerativa global.

Da sala de aula para o campo

Na sexta-feira (17), o engenheiro agrônomo João Américo Maccori Barboza apresentou os resultados do trabalho que o colocou em destaque na lista Forbes Under 30. Com apenas 25 anos, ele está à frente da DioxD, startup sediada em Londrina que alcançou a marca de 580 mil hectares tratados na safra 2025/26. A tecnologia criada por ele atende 160 produtores em dez estados brasileiros e iniciou a expansão para o Paraguai, utilizando um composto de seis gases para extrair o potencial genético máximo de culturas como soja, milho, feijão e algodão.

A DioxD surgiu a partir de uma pesquisa acadêmica transformada em negócio com apoio da Sociedade Rural do Paraná, após reconhecimento internacional do pesquisador. A tecnologia utiliza dióxido de carbono e outros gases para tratar sementes diretamente nos bags, sem necessidade de movimentação mecânica ou umidade, garantindo maior preservação do material e alta eficiência operacional, com capacidade atual superior a 300 toneladas por hora. 

O principal diferencial da solução está no impacto agronômico: o tratamento estimula o desenvolvimento radicular das plantas, tornando-as mais resistentes a estresses hídricos e mais eficientes na absorção de nutrientes. Na prática, produtores de soja têm registrado aumento médio de quatro sacas por hectare, com um custo relativamente baixo, o que pode gerar retorno até oito vezes maior na colheita. 

A validação da tecnologia ocorreu no Matopiba, com adoção por grandes produtores, e a empresa cresceu mantendo uma estrutura enxuta e familiar. Com atuação em diversas culturas, João Américo Barboza conseguiu combinar profissionalização financeira com gestão próxima, tendo iniciado seus testes no interior do Paraná e expandido sua presença no agronegócio nacional. 

Embaixador das Indicações Geográficas do Brasil 

Engenheiro de formação, Rui Morschel deixou a carreira no mercado financeiro para investir na gastronomia e, desde 2017, o cozinheiro usa as redes sociais para ensinar receitas e dicas que facilitam o dia a dia na cozinha. No sábado (11), ele abriu a programação da Cozinha Sabores, que funciona dentro da Expo Sabores, ensinando uma receita de croquete de Cracóvia, inspirada em preparações tradicionais e substituindo ingredientes clássicos por um embutido suíno típico de Prudentópolis, com o objetivo de valorizar produtores locais.

Sua paixão pelos ingredientes o levou longe e hoje ele é embaixador das Indicações Geográficas (IGs) do Brasil pela Associação Brasileira de Indicações Geográficas e atua como cozinheiro da Secretaria de Turismo do Paraná, levando o tradicional barreado para feiras nacionais e internacionais pela América do Sul e Europa, onde promove a cultura caiçara do Paraná. 

Segundo Morschel, hoje o Paraná é líder nacional no uso do selo de valorização de produtos locais. “A certificação funciona como um mecanismo de proteção e reconhecimento, beneficiando o consumidor com segurança alimentar e o pequeno agricultor ao eliminar intermediários desnecessários na cadeia produtiva”, explicou o embaixador. 

Para ele, mais do que uma garantia de qualidade técnica, as IGs são ferramentas de transformação social que elevam o status de itens tradicionais ao nível de produtos de luxo, gerando orgulho e sustentabilidade econômica para a agricultura familiar. “O propósito central é incentivar a valorização do patrimônio regional, conectando a história do produtor diretamente ao consumidor final”, concluiu Morschel.

 

Professor da USP entre os 2% de cientistas mais influentes do mundo

Com uma trajetória acadêmica sólida e internacional, o Prof. Dr. Pietro Sampaio Baruselli se consolidou como um dos principais nomes da ciência aplicada à pecuária no mundo. Graduado pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, com especialização na Universidade de Turim, na Itália, e doutorado pela Universidade de São Paulo (USP), ele acumula décadas de atuação em pesquisa, ensino e inovação em reprodução animal. Durante o XII Simpósio de Eficiência em Produção e Reprodução Animal, que aconteceu na quinta-feira (16) na ExpoLondrina, ele apresentou os desafios e perspectivas atuais para os programas reprodutivos em fêmeas jovens. 

Professor titular da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP e pesquisador nível 1A do CNPq, Baruselli tem uma produção científica impressionante com mais de 300 artigos publicados e formação de dezenas de mestres e doutores, consolidando uma contribuição decisiva para o avanço da pecuária de corte e leite. 

Reconhecido globalmente, ele ainda foi listado pela Universidade de Stanford entre os 2% de cientistas mais influentes do mundo por vários anos consecutivos, além de ocupar posições estratégicas em entidades internacionais como a International Buffalo Federation. 

Seu trabalho é diretamente responsável por avanços na eficiência reprodutiva e no uso de biotecnologias que elevam a produtividade dos rebanhos, impactando a competitividade do agronegócio brasileiro no cenário global.

Cocriagro é destaque nacional entre agtechs

Além desses personagens, o Cocriagro, hub de tecnologia da Sociedade Rural do Paraná, aparece entre os ambientes de inovação mais mencionados do país no Radar Agtech Brasil 2025, principal levantamento nacional sobre startups do agronegócio divulgado no início deste ano. A pesquisa é realizada pela Embrapa, SP Ventures e Homo Ludens.

De acordo com o estudo, o Cocriagro foi o ambiente com maior número de menções entre as agtechs respondentes, figurando à frente de organizações como Sebrae, Cubo Itaú e PwC Agtech Innovation. 

Para Tatiana Fiuza, diretora de inovação da SRP, o resultado está diretamente relacionado ao papel que o hub vem consolidando no ecossistema. “O Cocriagro atua próximo de sua comunidade. Sempre tratamos as startups para além do banco de dados. Nosso objetivo é de fato atuar na conexão entre tecnologia e mercado. O reconhecimento das próprias startups indica que estamos no caminho”, afirma.

O levantamento identifica 2.075 agtechs no Brasil, distribuídas em 468 municípios, além de 390 ambientes de inovação, entre incubadoras, aceleradoras, hubs e parques tecnológicos. Os dados indicam um ecossistema estruturado, com presença crescente de organizações que atuam na conexão entre tecnologia e mercado.

“O Paraná construiu um ambiente de inovação muito conectado ao setor produtivo. A presença de instituições como a Sociedade Rural do Paraná e de cooperativas, aliada aos ambientes de inovação, cria uma dinâmica onde a tecnologia já nasce com aplicação prática”, destaca Tatiana Fiuza que, em 2022, também foi indicada na lista da Forbes entre as 20 mulheres que atuam no Brasil com inovação e agtechs. 

CEO do Cocriagro, coordenadora da Agro Valley Londrina e diretora de Inovação da Sociedade Rural do Paraná, Tatiana é mestre em Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia e mestre em Geografia e atua na construção de Sistemas de Gestão da Inovação. Em 2022, foi indicada pelo Radar Agtech 2022 na lista de “Mulheres que inspiram outras mulheres no agro”.

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