Por Vitor Ogawa
O balanço parcial do setor de selarias e moda country da 64ª
Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina (ExpoLondrina 2026) indica um
cenário positivo para os negócios. Com base em entrevistas realizadas no parque
de exposições neste domingo (19), a maioria dos expositores consultados
reportou aumento no faturamento em comparação ao ano passado, com altas que
variam de 10% a 20%. O movimento intenso de público, especialmente nos
primeiros e nos últimos dias de evento, foi apontado como o principal motor
para o crescimento. Itens tradicionais da moda country, como botas e chapéus,
seguem como carros-chefes, mas acessórios em couro e artigos de cutelaria
também se destacaram.
Entre os entrevistados, a Selaria Barretense, de Barretos
(SP), registrou alta de 15% a 20% nas vendas em relação à edição de 2025.
Segundo o proprietário, Robson Luiz Rosa, os produtos mais procurados foram
botas femininas e chapéus, com tíquete médio de aproximadamente R$ 250. Ele
destacou que a ExpoLondrina marca o início da temporada 2026 dos grandes
eventos para a empresa.
Já a Dominator Couros, que participa do evento pela terceira
vez, teve um incremento de 10% no faturamento, impulsionado principalmente pela
venda de saias em couro, com peças comercializadas entre R$ 1.500 e R$ 2.500. A
representante Greice Shaiane de Góis atribui o resultado ao público com um
pouco mais de poder aquisitivo neste ano em relação ao ano passado.
A Sibu Company também comemorou o desempenho. Rogério
Eduardo Messias informou que a receita saltou de R$ 180 mil em 2025 para cerca
de R$ 220 mil neste ano. O destaque ficou por conta das botas da marca Jácomo,
lançadas especialmente para a feira, com tíquete médio de R$ 450. O empresário
Pérsio Aparecido Ladeira, conhecido como Zum, da Pantaneira, classificou o
movimento como sensacional e extraordinário. Mesmo com um espaço físico
reduzido, a resposta financeira foi tão positiva quanto no ano anterior, com
vendas parciais na casa dos R$ 250 mil. Ele ressaltou a importância do evento
para a consolidação de parcerias de longo prazo.
A Parra Couros, de Apucarana (PR), registrou vendas próximas
a R$ 250 mil, volume semelhante ao de 2025. O proprietário, Décio Leandro
Parra, avaliou o movimento como bom, apesar de destacar que o clima mais ameno
no ano passado foi um diferencial para o setor de couro. Na Cutelaria Forja, o
movimento de público foi grande, mas as vendas ficaram aquém da expectativa do
expositor Rodrigo Simões Barbosa, pois foi o primeiro ano dele como expositor
em Londrina. Apesar disso, o carro-chefe do estande, as facas artesanais,
seguiu puxando os negócios.
Já a Selaria Minas Gerais, de Santo Antônio da Platina (PR),
tradicional participante desde 1968, faturou aproximadamente R$ 60 mil. O
proprietário, Celso Crespo Freitas, elogiou o evento e também observou uma
mudança de hábito do consumidor, afirmando que sela, um produto que ele já
chegou a vender de oito a dez unidades por edição, praticamente não tem mais
saída, e que agora a preferência recai sobre os chapéus, cintos e botas. A
Rancho Arizona, empresa de Londrina, preferiu não divulgar números fechados, mas
confirmou que o fluxo de pessoas no parque foi bom, com expectativa de
faturamento próximo aos R$ 100 mil registrados em 2025.
Os organizadores esperam que o setor de selarias e moda
country consolide um dos melhores resultados da última década.
Fotografia Henrique Campinha