Pavilhão Smart Agro recebe
espaço Sloyd Experience neste domingo
Metodologia sueca
aposta no trabalho manual para desenvolver habilidades e caráter em crianças com
ação durante a ExpoLondrina
Por Mariana Guerin
A Arena Conhecimento, localizada no Pavilhão Smart Agro da
ExpoLondrina, recebeu, durante todo o domingo (12), o Espaço Sloyd Experience,
onde crianças e adultos aprenderam a criar projetos em madeira a partir de uma
metodologia criada na Suécia, em 1865. De acordo com a diretora de Inovação da
Sociedade Rural do Paraná, Tatiana Fiuza, a proposta dialoga diretamente com o
tema “Legado Inovador”, escolhido para comemorar os dez anos do Smart Agro.
Em um cenário agropecuário marcado pela inovação acelerada,
cresce a demanda por pessoas capazes de agir, adaptar-se e transformar
conhecimento em solução e a metodologia Sloyd atua na base dessa formação.
Conforme Tatiana Fiuza, ao integrar a experiência à programação do Smart Agro,
a SRP amplia o entendimento de inovação, mostrando que o futuro do setor também
depende da forma como as novas gerações são preparadas para lidar com os
desafios da realidade.
Formar caráter por meio
do fazer
Segundo o monitor Igor Cocito, a atividade realizada na
ExpoLondrina é muito mais do que uma oficina de marcenaria. Ele explicou que a metodologia
Sloyd vai além do ensino de técnicas manuais, buscando formar o caráter por
meio do fazer.
“Criado em 1865, o método Sloyd nasceu com o objetivo de
utilizar o trabalho manual, especialmente com madeira, como ferramenta de
desenvolvimento humano, tirando o foco do produto final. A intenção não é
formar um marceneiro, nem que a criança faça uma peça perfeita. A ideia é
moldar o caráter através desse processo”, destacou.
Durante as atividades, as crianças foram estimuladas a
desenvolver competências essenciais como foco, resiliência, persistência e
paciência. Esses valores são trabalhados de forma prática, enquanto os
participantes avançam em diferentes etapas do aprendizado. E o resultado é
autonomia, concentração, perseverança, capacidade de resolver problemas e
responsabilidade sobre o próprio processo.
A dinâmica é organizada em fases, comparadas, de forma lúdica,
a níveis de um jogo de videogame. Cada participante iniciava a experiência com
um projeto simples, como a produção de um apontador de lápis feito com madeira
e lixa, e, gradualmente, avançava para desafios mais complexos. Ao todo, foram
13 projetos, que evoluíram em dificuldade, exigindo novas habilidades, como
encaixes e entalhes.
De acordo com Cocito, um dos diferenciais da metodologia é o
respeito ao tempo individual de cada participante. Embora as crianças possam
começar juntas, cada uma segue seu próprio ritmo. “Se uma criança leva mais
tempo, não tem problema. O importante é o processo.”
O último projeto, por exemplo, era um suporte para panelas
que exige técnicas mais avançadas de entalhe, mostrando o progresso alcançado
ao longo da jornada.
Além do aprendizado, o envolvimento emocional também ficou evidente.
Mesmo não sendo o foco principal, o resultado final gerou orgulho e satisfação.
“Eles saem felizes, levam o que produziram para casa e mostram para os pais.
Isso fortalece a autoconfiança”, afirmou Cocito.
Para ele, a metodologia também se apresenta como uma
alternativa ao excesso de telas. “O trabalho manual ajuda a desconectar as
crianças do ambiente digital e a promover maior concentração. Elas chegam,
sentam na bancada e entram em foco total. É algo que as famílias percebem em
casa também, com crianças mais calmas e concentradas”, relatou o monitor.
Embora o projeto seja voltado ao público infantil, o
interesse de adultos e idosos surpreendeu e muitos visitantes demonstraram
curiosidade em participar da experiência na ExpoLondrina.
Pela manhã, a professora Lucélia Canassa visitou a Arena
Conhecimento com a filha Isis, que aprendeu a escrever o nome dela em um pedaço
de madeira usando o método Sloyd. Ela contou que é dona da Madeireco, uma
marcenaria de Londrina que produz móveis e brinquedos educativos em madeira, e
decidiu conhecer o Espaço Sloyd Experience para aprender mais sobre a
metodologia.
“É um método que prioriza o devagar, o manual. Então, viemos
entender como funciona todo o processo tanto para o adulto como para a criança,
porque inevitavelmente o adulto está ali do lado, ajudando. A gente vai
resgatando essa coisa mais do manual, de saber como as coisas ficam prontas. É
um dos processos da marcenaria pelo qual a gente se interessa bastante”,
comentou Lucélia.
Sloyd Experience no Brasil
No Brasil, a Sloyd Experience já conta com unidades no
interior de São Paulo, em cidades como Rancharia, Iepê e Presidente Venceslau.
A presença na ExpoLondrina tem como objetivo divulgar a metodologia e iniciar
diálogos para sua possível implementação na cidade.
De acordo com Igor Cocito, em países como Suécia e Estados Unidos, o Sloyd já integra o sistema educacional básico. Aqui, a proposta ainda está em fase de expansão, mas com resultados promissores. “Mais do que ensinar a fazer, queremos ajudar a formar pessoas mais confiantes, focadas e resilientes. Esse é o verdadeiro legado da metodologia”, concluiu Cocito.