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12/04/2026

Pavilhão Smart Agro recebe espaço Sloyd Experience neste domingo

Pavilhão Smart Agro recebe espaço Sloyd Experience neste domingo

Metodologia sueca aposta no trabalho manual para desenvolver habilidades e caráter em crianças com ação durante a ExpoLondrina

Por Mariana Guerin

A Arena Conhecimento, localizada no Pavilhão Smart Agro da ExpoLondrina, recebeu, durante todo o domingo (12), o Espaço Sloyd Experience, onde crianças e adultos aprenderam a criar projetos em madeira a partir de uma metodologia criada na Suécia, em 1865. De acordo com a diretora de Inovação da Sociedade Rural do Paraná, Tatiana Fiuza, a proposta dialoga diretamente com o tema “Legado Inovador”, escolhido para comemorar os dez anos do Smart Agro.

Em um cenário agropecuário marcado pela inovação acelerada, cresce a demanda por pessoas capazes de agir, adaptar-se e transformar conhecimento em solução e a metodologia Sloyd atua na base dessa formação. Conforme Tatiana Fiuza, ao integrar a experiência à programação do Smart Agro, a SRP amplia o entendimento de inovação, mostrando que o futuro do setor também depende da forma como as novas gerações são preparadas para lidar com os desafios da realidade.

Formar caráter por meio do fazer

Segundo o monitor Igor Cocito, a atividade realizada na ExpoLondrina é muito mais do que uma oficina de marcenaria. Ele explicou que a metodologia Sloyd vai além do ensino de técnicas manuais, buscando formar o caráter por meio do fazer.

“Criado em 1865, o método Sloyd nasceu com o objetivo de utilizar o trabalho manual, especialmente com madeira, como ferramenta de desenvolvimento humano, tirando o foco do produto final. A intenção não é formar um marceneiro, nem que a criança faça uma peça perfeita. A ideia é moldar o caráter através desse processo”, destacou.

Durante as atividades, as crianças foram estimuladas a desenvolver competências essenciais como foco, resiliência, persistência e paciência. Esses valores são trabalhados de forma prática, enquanto os participantes avançam em diferentes etapas do aprendizado. E o resultado é autonomia, concentração, perseverança, capacidade de resolver problemas e responsabilidade sobre o próprio processo.

A dinâmica é organizada em fases, comparadas, de forma lúdica, a níveis de um jogo de videogame. Cada participante iniciava a experiência com um projeto simples, como a produção de um apontador de lápis feito com madeira e lixa, e, gradualmente, avançava para desafios mais complexos. Ao todo, foram 13 projetos, que evoluíram em dificuldade, exigindo novas habilidades, como encaixes e entalhes.

De acordo com Cocito, um dos diferenciais da metodologia é o respeito ao tempo individual de cada participante. Embora as crianças possam começar juntas, cada uma segue seu próprio ritmo. “Se uma criança leva mais tempo, não tem problema. O importante é o processo.”

O último projeto, por exemplo, era um suporte para panelas que exige técnicas mais avançadas de entalhe, mostrando o progresso alcançado ao longo da jornada.

Além do aprendizado, o envolvimento emocional também ficou evidente. Mesmo não sendo o foco principal, o resultado final gerou orgulho e satisfação. “Eles saem felizes, levam o que produziram para casa e mostram para os pais. Isso fortalece a autoconfiança”, afirmou Cocito.

Para ele, a metodologia também se apresenta como uma alternativa ao excesso de telas. “O trabalho manual ajuda a desconectar as crianças do ambiente digital e a promover maior concentração. Elas chegam, sentam na bancada e entram em foco total. É algo que as famílias percebem em casa também, com crianças mais calmas e concentradas”, relatou o monitor.

Embora o projeto seja voltado ao público infantil, o interesse de adultos e idosos surpreendeu e muitos visitantes demonstraram curiosidade em participar da experiência na ExpoLondrina.

Pela manhã, a professora Lucélia Canassa visitou a Arena Conhecimento com a filha Isis, que aprendeu a escrever o nome dela em um pedaço de madeira usando o método Sloyd. Ela contou que é dona da Madeireco, uma marcenaria de Londrina que produz móveis e brinquedos educativos em madeira, e decidiu conhecer o Espaço Sloyd Experience para aprender mais sobre a metodologia.

“É um método que prioriza o devagar, o manual. Então, viemos entender como funciona todo o processo tanto para o adulto como para a criança, porque inevitavelmente o adulto está ali do lado, ajudando. A gente vai resgatando essa coisa mais do manual, de saber como as coisas ficam prontas. É um dos processos da marcenaria pelo qual a gente se interessa bastante”, comentou Lucélia.

 Sloyd Experience no Brasil

No Brasil, a Sloyd Experience já conta com unidades no interior de São Paulo, em cidades como Rancharia, Iepê e Presidente Venceslau. A presença na ExpoLondrina tem como objetivo divulgar a metodologia e iniciar diálogos para sua possível implementação na cidade.

De acordo com Igor Cocito, em países como Suécia e Estados Unidos, o Sloyd já integra o sistema educacional básico. Aqui, a proposta ainda está em fase de expansão, mas com resultados promissores. “Mais do que ensinar a fazer, queremos ajudar a formar pessoas mais confiantes, focadas e resilientes. Esse é o verdadeiro legado da metodologia”, concluiu Cocito.


Fotografia: Rubem Vital

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