Por Vitor Ogawa
Enquanto a tecnologia embarcada avança rapidamente nas
fábricas, uma parcela significativa do parque de máquinas brasileiro segue
operando com equipamentos mais antigos. Para atender a esse mercado, a
indústria e as cooperativas têm investido em soluções de retrofit –
atualizações que prolongam a vida útil de tratores, colheitadeiras e
pulverizadores, agregando precisão, conforto e eficiência. No estande montado
em Londrina (PR), representantes da Agri Case, New Holland (ambas do grupo CNH
Industrial), e da Cooperativa Integrada apresentaram ao público um leque de
tecnologias que podem ser instaladas em máquinas de qualquer marca e ano de
fabricação – incluindo tratores da década de 1990.
Adriano Batista da Silva, gestor do departamento de máquinas
da Cooperativa Integrada (que também abrange tecnologia, peças, pós-vendas e
comercial), explica que a cooperativa é revendedora autorizada da Trimble (BTX
Trimble) com classificação máxima no Paraná, podendo até comercializar produtos
para outras revendas. “Aqui nós temos uma bancada de tecnologias. São produtos
que envolvem automação de máquinas, feito um sistema de trade-up. O agricultor
pode não ter nenhum sistema de agricultura de precisão instalado. Nós vamos lá
e instalamos o primeiro equipamento – no sistema retrofit, que é a máquina sem
tecnologia nenhuma – ou renovamos uma tecnologia já ultrapassada”, afirma
Adriano. Segundo ele, o serviço vai além da venda: inclui consultoria
especializada e instalações feitas por técnicos capacitados, com o objetivo de tornar
a máquina mais produtiva.
Adriano detalha as soluções disponíveis, que vão do básico
ao avançado. Começam pelos sistemas de monitoramento de plantio, o famoso
“cai-cai” que marca a distribuição de sementes na linha, e sensores para as
linhas de adubos e insumos químicos. Depois vem a barra de luzes, um simples
sistema de orientação visual para o operador sem direção automática. Em
seguida, o piloto elétrico – sistema de direção automática por motor elétrico
acoplado ao volante, compatível até com tratores de 1990. A partir daí, é
possível evoluir para o desligamento linha a linha, que evita replantio em
áreas já semeadas, gerando economia de sementes, insumos e combustível e para
os sistemas de taxa fixa e variável para distribuidores de insumos, orgânicos
ou químicos, controlados por arquivos gerados a partir de análise de solo.
“Nós temos uma área de agricultura de precisão da
cooperativa formada por vários engenheiros agrônomos. Eles vão à propriedade,
coletam amostras, trazem para laboratório, fazem análises, levam para dentro do
nosso escritório de agricultura de precisão, transformam esses dados em
necessidades concretas do solo e geram um arquivo que pode ser carregado num
pendrive. O produtor coloca esse arquivo na tela da máquina – mesmo que a
máquina seja antiga – e tem toda a recomendação técnica dentro do equipamento”,
explica Adriano.
Ele destaca que os dados também podem vir da própria
colheitadeira durante a colheita, gerando mapas de produtividade que indicam
onde se produziu mais ou menos. “Com isso ele consegue economia e, obviamente,
vai produzir muito mais. Numa agricultura cada vez mais disputada, precisamos
produzir cada dia mais com menos. A tecnologia traz assertividade.”
Na mesma linha, Rafael Almeida de Souza, gerente regional da
Agri Case (Londrina e Paranavaí), apresentou o piloto elétrico Easy Pilot,
sistema que pode ser instalado em tratores de qualquer marca. “Ele não vai no
sistema hidráulico, vai no volante, todo sistema elétrico. Pode ser
independente da marca: Valtra, John Deere, New Holland, Massey Ferguson”,
afirma Rafael. O ganho de produtividade é imediato: “Num plantio em uma área de
100 alqueires, você consegue aproveitar de 5% a 7% a mais de área plantada por
usar o piloto”. O investimento no kit completo (antena, nave, monitor e volante
eletrônico) é de R$ 70 mil. “Praticamente no primeiro ano, numa área de 70 a
100 alqueires, você já recupera esse investimento.”
A instalação pode ser feita na propriedade ou na
concessionária, com pagamento parcelado em até seis vezes no cartão de crédito
ou por linhas de financiamento rural específicas para agricultura de precisão.
William Hideyuki Aoki Ikeda, da New Holland, complementa que o piloto elétrico
da marca custa aproximadamente R$ 60 mil, com tela de 7 ou 12 polegadas, e é
compatível com qualquer equipamento, inclusive de outras marcas.
Giscar Allan Dhein , representante comercial da empresa
Semeato, ressaltou que as máquinas antigas podem ter os dosadores de nossas
máquinas substituídos por mais modernos. “Todos de nossa marca são compatíveis
com a atualização. Os eixos também podem ser atualizados, o sistema de
rolamentos também pode ser atualizado. E sistema que não seja à vácuo radial
também pode ser atualizado.” Ele ressaltou que é preciso fazer as contas para
que a atualização não saia mais cara do que a opção de trocar de máquina.
Na Planti Center também é possível atualizar as máquinas
antigas, mas a análise é feita caso a caso e o diagnóstico e planejamento do
que pode ser atualizado é feito de maneira personalizada.
No estande da Terra Forte, Jacob Ernesto Guadanin, um dos
sócios proprietários da Terra Forte, relatou que é possível atualizar softwares
de equipamentos mais antigos.
Foto: Manuella Tomaz