Por Vitor Ogawa
A SRP Valley recebeu
o encontro de gestores de TIC de cooperativas e empresas do Paraná. O evento
discutiu os desafios do setor e o protagonismo da tecnologia da informação e
comunicação (TIC) no agronegócio, que deixou de ser vista apenas como suporte
operacional para assumir um papel central na estratégia e na transformação
digital das organizações. O 14º Encontro de Gestores de TIC e Inovação no Agro
aconteceu no dia 16 de abril, dentro da ExpoLondrina, e reuniu lideranças de cooperativas
e empresas do setor. Ele foi organizado pelo Senai, por meio do Hub de
Inteligência Artificial de Londrina, e contou com patrocínio da BRID e do Grupo
DRZ.
Segundo Naira
Pizzinatti, consultora de pesquisa, desenvolvimento e inovação do Senai-PR, o
encontro é realizado desde 2018 e já soma 14 edições, sempre com foco na troca
de experiências entre gestores de TI e inovação. Ela destacou que, além da
tecnologia, ficou clara a necessidade de pensar nas pessoas e na cultura
organizacional, utilizando a inteligência artificial como apoio para aumentar
produtividade, competitividade e gerar mais resultados.
Edenilson Buriti,
moderador do evento e também integrante do Senai, reforçou que a TI não pode
mais ser vista apenas como área de suporte. “Atuar de forma estratégica,
participando de comitês de inovação e das mudanças culturais, é crucial para o
avanço de qualquer organização”, afirmou.
Os painelistas
trouxeram cases práticos que ilustraram diferentes ângulos dessa transformação.
Francyelcyo Farias, da Adama, apresentou o programa “IA Champions”, um
movimento bottom-up para incentivar o uso de IA, no qual o maior desafio
apontado não foi a tecnologia, mas a dificuldade das pessoas em formular
perguntas e prompts estruturados.
Carolina Mizuguchi,
da Ponto Rural, mostrou a transformação digital no RH, com a criação do
“RHFlix” e um chatbot, e destacou que a principal competência para vencer com
IA é a coragem, sendo a mudança de cultura o maior obstáculo.
David Reis, da BRID,
introduziu o conceito de “datologia” – a consciência crítica sobre os dados – e
alertou que “nunca tivemos tanta informação e nunca fomos tão vulneráveis a
decisões ruins”, defendendo que dado não gera resultado, decisão gera.
Agostinho de Rezende,
do Grupo DRZ, apresentou uma solução de IA para governos mapearem territórios
rurais, identificando culturas com 97% de acurácia, e mostrou que municípios
perdem arrecadação – como os R$ 22 milhões anuais em Rondonópolis – e deixam de
investir em infraestrutura rural; o case foi desenvolvido em parceria com o Hub
de IA do Senai.
Por fim, Luis
Batistella, da Cooperativa Cocari, compartilhou um modelo de gestão sem gerente
de TI desde 2016, destacou a importância da cultura de inovação ainda em fase
de letramento e apresentou automações que reduziram processos de 18 horas para
3 minutos. Ao final, os organizadores reforçaram a intenção de dar continuidade
ao encontro, que já se consolidou como um espaço relevante para a troca de
experiências entre os gestores de TIC do agronegócio paranaense.
Foto: Manuella Tomaz