Por
Mariana Guerin
A
programação do Pavilhão Smart Agro da ExpoLondrina 2026 nesta sexta-feira (17)
foi marcada pelo painel “Startups que captaram recursos em editais de fomento”,
realizado pela Sociedade Rural do Paraná (SRP) em parceria com a Redfoot
Startup Community, Estação 43, ecossistema de inovação de Londrina e a Agente
Regional de Inovação (ARI). O encontro trouxe ao público uma visão prática
sobre os desafios, aprendizados e estratégias necessárias na busca por
investimentos, com destaque para o planejamento e a gestão.
Participaram
do painel Ana Paula de Souza Cruz, fundadora da natu-me e da Ecobea, startups que
atuam no desenvolvimento de soluções sustentáveis em saúde e bem-estar humano e
animal; João Américo Macori Barboza, da DioxD, agritech que
desenvolveu um composto de seis gases para extrair o potencial genético máximo
de culturas como soja, milho, feijão e algodão; Lucas Rafael Olivetti,
empresário do setor de beleza com soluções inovadoras em papel para mechas; e
Marília Ferrari Conchon, da Oazo, startup focada em soluções para pessoas com
restrição hídrica. A roda de conversa foi mediada pelo empresário Célio Vinícius
Lemes, CEO da Value4u, que oferece tecnologia personalizada com foco na fidelização de clientes para o varejo.
Um
dos pontos centrais da conversa foi a compreensão de que editais podem ser fonte
de recurso financeiro e oportunidade de estruturação e amadurecimento de um
negócio. “Para além do financeiro, participar de editais foi uma oportunidade
de estar nesse ecossistema, com outras startups, com mentorias e apoio para
entender o caminho das pedras”, destacou Marília Conchon.
A
troca de experiências evidenciou que a entrada em editais exige preparo e estratégia.
“Ler muito bem o edital faz toda a diferença. Muitas vezes, o segredo está nas
entrelinhas, tanto na escrita do projeto quanto no entendimento da dor de
mercado”, afirmou Ana Paula Cruz. Segundo ela, a clareza sobre a aplicabilidade
da solução e sua relevância para o mercado são determinantes para avançar nas
seleções.
Outro
tema relevante foi a gestão dos recursos após a captação. João Barboza,
reconhecido pela Forbes Under 30, chamou atenção para o desafio de executar
corretamente o que foi planejado. “Gastar o recurso é fácil, o difícil é fazer
uma boa gestão. O edital ajuda porque você já entra com um planejamento, mas é
muito fácil se perder no meio do caminho”, confessou, destacando a importância
da prestação de contas. “Você precisa registrar tudo. A boa execução do recurso
que você conseguiu é o que vai garantir acesso a novos editais.”
A
burocracia, frequentemente vista como um obstáculo para os empreendedores, foi
apresentada sob uma perspectiva mais ampla. “No começo, pode assustar,
principalmente para quem vem da academia. Mas ela acompanha a maturidade da
startup e passa a fazer parte do processo”, avaliou Marília. Já Ana Paula
reforçou que o aprendizado vem com a prática. “Cada edital que você participa você
aprende e deixa de ser difícil.”
O
painel também destacou a importância do posicionamento e da comunicação. Para
Lucas Olivetti, a forma como o empreendedor se apresenta pode ser decisiva.
“Confiança é importante, mas mais do que isso é a verdade que você transmite.
Pessoas confiam em pessoas. Primeiro acreditam no CPF para depois acreditar no
CNPJ”, assinalou. Ele ressaltou que inovação não está restrita à tecnologia
digital e mesmo um produto físico precisa ter um diferencial. “No nosso caso,
foi unir tecnologia, sustentabilidade e uma dor real do mercado”, destacou.
Ao reunir diferentes trajetórias, o encontro reforçou o papel do Agro Valley, ecossistema de inovação da Sociedade Rural do Paraná, dentro da agenda técnica do Pavilhão Smart Agro. “Mais do que apresentar cases de sucesso, evidenciamos que o caminho para a captação de recursos passa por aprendizado contínuo, adaptação e conexão entre ciência, mercado e estratégia”, concluiu o empresário Célio Lemes.
Fotografia Roberto Custódio