ExpoLondrina 2026

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16/04/2026

V Seminário de Produção Sustentável de Leite destaca gestão e tecnologia para pequenos produtores

Por Érika Zanon

A quinta edição do Seminário de Produção Sustentável de Leite, que aconteceu nesta quinta (16) durante a ExpoLondrina, reuniu estudantes da área, produtores, técnicos e especialistas para discutir soluções práticas voltadas à realidade da pecuária leiteira no Paraná. Com foco em gestão, tecnologia e sustentabilidade, o evento reforçou a importância da tomada de decisão para o manejo dos animais, baseada em dados, especialmente nas pequenas propriedades, que representam a maioria no Estado.

De acordo com a Diretora de Fomento da Sociedade Rural do Paraná e assessora de projetos do IDR-Paraná, Roberta Garbelini Gomes Zanin, o seminário, que está na quinta edição, dá continuidade a uma trajetória de mais de duas décadas de ações para o segmento durante a Expo, agora com um novo enfoque voltado à produção sustentável. Este ano, a programação foi estruturada para abordar desde o controle leiteiro até práticas de nutrição e qualidade do leite, pilares considerados essenciais para a atividade.

Um dos destaques do evento, segundo Roberta, foi a palestra sobre controle leiteiro, ferramenta que permite a análise individual de cada animal a partir de dados coletados da produção. Segundo Roberta, essa prática possibilita decisões mais assertivas dentro da propriedade, impactando diretamente na nutrição, reprodução e sanidade do rebanho. “A gente consegue atender individualmente a vaca e com isso direcionar melhor a alimentação e o manejo, o que facilita muito, principalmente nas pequenas propriedades”, explicou.

A realidade da produção leiteira no Paraná, pontuou Roberta, reforça a necessidade desse tipo de tecnologia. Levantamento do IDR-Paraná, realizado em 2023, identificou que 88% das propriedades da região Norte produzem até 500 litros de leite por dia. “São produtores pequenos, que precisam de um acompanhamento próximo. Às vezes, um problema em um único animal já compromete toda a produção”, destacou.


Nesse contexto, acrescentou a assessora do IDR, o acesso a ferramentas como o controle leiteiro, viabilizado por parcerias institucionais, torna-se estratégico para melhorar a eficiência e reduzir custos. Hoje o Paraná é o segundo maior produtor de leite do Brasil, totalizando cerca de 4 bilhões de litros por ano.

Além da gestão do rebanho, o seminário também trouxe discussões sobre alternativas para melhorar a qualidade do leite, incluindo práticas agroecológicas e o manejo adequado da pastagem. A nutrição, segundo a especialista, é um dos pilares da produção. “Se não tiver alimento de qualidade, não há produção nem reprodução. A nutrição está no topo dessa cadeia”, afirma.

Controle leiteiro

A aplicação prática do controle leiteiro foi apresentada pela zootecnista e extensionista do IDR-Paraná, Rosilene Gonçalves, que destacou a importância da ferramenta que funciona como um “raio-x” do rebanho. A partir dos dados coletados é possível identificar falhas que muitas vezes passam despercebidas no dia a dia da propriedade.

“Sem medir, o produtor trabalha muito no ‘eu acho’. E isso pode gerar prejuízos, seja por baixa produtividade ou por custos desnecessários com alimentação inadequada”, explicou. A zootecnista explicou que a prática do controle leiteiro permite ajustar o manejo de forma individualizada, contribuindo para melhorar os índices produtivos e reprodutivos do rebanho.

Rosilene adiantou que a expectativa do IDR é que mais produtores adotem a prática, ampliando o acesso à tecnologia e fortalecendo a cadeia leiteira regional.

Produtor relata aumento de produtividade com uso da ferramenta

O produtor Alan Pinheiro da Cruz, de Lupionópolis (Norte do Paraná), já utiliza o controle leiteiro em sua propriedade e relata resultados positivos após a adoção da técnica.

Com um rebanho de 33 animais, sendo 14 vacas em produção, ele produz atualmente uma média de 280 litros de leite por dia. Segundo Alan, o principal ganho com a adoção da prática foi a possibilidade de identificar com precisão o desempenho de cada animal.

“Antes, a gente trabalhava muito no achismo. Tinha vaca consumindo mais do que produzia. Com o controle, conseguimos ajustar a alimentação e evitar desperdícios”, afirmou. Além da redução de custos, o produtor também observou aumento na produtividade. “Algumas vacas passaram a produzir de 3 a 4 litros a mais por dia, depois que fizemos esse ajuste fino. Isso, sem dúvida, impacta diretamente no resultado da propriedade”, completou.


Fotografia: Roberto Custódio

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