Por Luis Fernando Wiltemburg
O contato direto com os consumidores anima os produtores rurais
da Expo Sabores, que projetam vendas maiores ou no mesmo volume na ExpoLondrina
2026 em comparação com a edição do ano anterior. Em alguns casos, expositores
precisaram buscar mais mercadorias ao longo da feira devido à alta demanda dos
visitantes do Parque Ney Braga Eventos.
Foi o que ocorreu com o estande da Sabores de Prudentópolis.
O queijo tipo colonial esgotou-se na segunda-feira (13), ainda no quarto dia de
feira. A nova remessa chegou na quarta-feira (15) e, pelo volume de pessoas
visitando a exposição, pode ser que o produtor retorne para casa novamente sem
o produto.
Situação semelhante ocorreu na edição anterior da
ExpoLondrina com a Doces Mamborê, que produz e comercializa doce de leite e
geleias oriundos da agricultura familiar, em propriedade localizada na região
Centro-Oeste do Paraná. “Meus produtos acabaram na segunda-feira. Fui buscar
mais e esgotaram-se na sexta”, conta Eliseu Queiroz. Para evitar transtornos,
ele trouxe para a feira deste ano três vezes mais itens, totalizando cerca de
dois mil potes de doces e geleias, além de frutas cristalizadas. O resultado
está dentro do esperado e superior ao registrado no ano anterior, afirma.
Outro expositor que veio mais preparado foi Jefferson de
Souza Moraes, da Pioneira Alambique, de Socorro (SP). Já prevendo vendas
melhores, trouxe mais mercadorias do que na edição anterior, quando participou
pela primeira vez da ExpoLondrina. “A expectativa já foi superada, pois
vendemos mais que no ano passado”, afirma, ainda otimista com os próximos dias.
A cachaça produzida por Moraes é comercializada nas versões
ouro, prata e com cana-de-açúcar. Nesta última, a bebida é envasada com a cana,
o que a torna mais adocicada e menos adstringente. O produtor também oferece
licores em oito sabores diferentes. Aproximadamente mil garrafas foram levadas,
em um valor estimado de R$ 40 mil. “No ano passado, vendi tudo até sexta-feira.
Neste ano, é possível que o estoque se esgote antes do fim da feira”, afirma.
João Fernando Dal Santo, da Machulek Produtos Coloniais, já
calcula um aumento de 20% nas vendas até sexta-feira, em comparação com o mesmo
período da feira em 2025. “Com certeza, está melhor que no ano passado. E pode
haver um crescimento ainda maior, já que as vendas seguem até domingo”, afirma.
Outros participantes experientes estrearam na ExpoSabores e,
mesmo sem parâmetros de comparação, consideram que a mudança de local foi
positiva. É o caso da Agroindústria Sol Nascente, de Rolândia (Região
Metropolitana de Londrina), que participa há cerca de 14 anos expondo na
Fazendinha, com apoio do IDR-PR (Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná).
“Foi possível perceber que a vinda para a ExpoSabores foi benéfica”, afirma a
proprietária, Neuza Iwase.
O mesmo ocorre com o Café Aldoni, que iniciou sua
participação na edição de 2025 no estande da Setu (Secretaria Estadual de
Turismo do Paraná). “Ao final, fui convidado para vir para este estande e está
excelente, muito melhor do que eu esperava”, afirma Leandro César Soares.
Presente na ExpoSabores e na Fazendinha, o expositor oferece
café em pó para consumo doméstico e também prepara bebidas no local, além de
comercializar alimentos de parceiros. “Tenho uma relação de 11 anos com a
Lanchonete Gente Boa. Sou fornecedor de café deles e, agora, a parceria se
inverteu, com eles me fornecendo salgados”, conta.
Estreantes
Vindo do Rio Grande do Sul, Emerson Lava precisou, no
sábado, contratar uma ajudante para o estande da Pecân da Estância, a fim de
não perder vendas durante o fim de semana. “Já deveria ter contratado para a
noite de sexta-feira”, admite.
Lava tinha interesse na ExpoLondrina desde 2025 e chegou a
adquirir um estande, mas não pôde comparecer devido à escassez de nozes, que
comercializa in natura ou saborizadas. “A pecan está crescendo muito no Sul, e
achei interessante que, aqui na região, as pessoas conhecem mais a noz chilena.
Assim, temos boa receptividade”, afirma.
Também participando pela primeira vez na ExpoLondrina, a
Casa Zottis ficou sem estoque de vinho suave e suco de uva antes do fim de
semana. Da produção própria, em Bento Gonçalves (RS), restavam à venda no
sábado apenas vinhos secos e espumantes. “Hoje (sábado), houve um aumento na
procura”, afirma Juliano Zottis.
Sem expectativas prévias de vendas, ele esperava ao menos
cobrir os custos operacionais, mas admite que a renda dos primeiros dias já
superou ligeiramente esse objetivo. “Ainda temos o fim de semana pela frente.
No entanto, meu objetivo era expor meus vinhos, rever amigos de outros eventos
e fazer novos contatos”, afirma.